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domingo, 24 de fevereiro de 2013

"Floralis Generica" em Buenos Aires By Levi Freire Jr


Levi Freire Jr na Praça Naciones Unidas,  Buenos Aires. 


Esta Escultura foi inaugurada em 2002, autorizada pela Lei 638/01, hoje é uma dos pontos de visita obrigatório da cidade. Está localizado no bairro de Palermo fronteira com a Recoleta, na Praça Naciones Unidas, na Avenida Figueroa, próxima a Faculdade de Direito da UBA – Universidade de Buenos Aires e do museu de Belas Artes, outros dois pontos obrigatórios aos turistas. 

O autor desta escultura, o Arquiteto Argentino Eduardo Fernando Catalano, estudou nas Universidades de Havard e Pensilvânia, dentre os trabalhos publicados podemos citar “Structures of Warped Surface e Structure and Geometry.” Dentre suas obras podemos elencar a Raleigh House na Carolina do Norte – USA, esculturas localizadas nas Embaixadas dos Estados Unidos em Buenos Aires, Argentina e em Pretória, África do Sul; a Juilliard School of Music em Nova York's Lincoln Center; Tribunal do Condado de Guilford em Greensboro, Carolina do Norte. 

Eduardo Catalano em frente a "the Raleigh House". Foto: Internet.

Alguns dizem que sua maior obra foi a Raleigh House, mas como não a conheci e esta foi demolida em 2001, acredito que a Floralis Generica assumiu este posto e está entre um dos seus maiores legados. 

A “flor genérica” de Catalano lembra uma magnólia, tanto aberta quanto fechada. Foi construída sobre um espelho de água de 44 metros de diâmetro, as pétalas são em aço inoxidável, fechadas possuem 16 metros e abertas 32 metros de diâmetro, o esqueleto é de alumínio. A flor possui 23 metros de altura e pesa 18 toneladas. 

Magnólia. Foto:  Extraída da Internet

Floralis Generica.  Foto: Luis Esnal Armando Resende Neto Pierre Lesage

Magnólia. Foto:  Extraída da Internet.

O nome da obra faz uma referencia a todas as flores e o seu abrir e fechar simboliza a esperança de um novo dia, esperança esta que ironicamente esperamos acontecer com a própria escultura, pois, o mecanismo que faz com que a mesma abrisse às 8h e fechasse ao por do sol está quebrado, a mais de dois anos. O governo argentino alega não possuir verbas para concertá-lo. Mas, independente disto, é um passeio que vale muito, principalmente pelas fotos.

Levi Freire Jr - Floralis Generica - Buenos Aires - Argentina




"Floralis Generica" in Buenos Aires By Levi Freire Jr


Levi Freire Jr
This sculpture was inaugurated in 2002, authorized by Act 638/01, is now one of the must see spots in town. It is located in Palermo neighborhood bordering Recoleta, in Naciones Nations Plaza, next to Law School, UBA - University of Buenos Aires and the Museum of Fine Arts, two other points required to tourists.

The author of this sculpture, the Argentine architect Eduardo Fernando Catalano, studied at the Universities of Pennsylvania and Harvard, among the published works we can mention "Structures of Warped and Surface Structure and Geometry." Among his works we can list the Raleigh House in North Carolina - USA, sculptures located in the United States Embassies in Buenos Aires, Argentina and in Pretoria, South Africa, the Juilliard School of Music in New York's Lincoln Center, Guilford County Courthouse in Greensboro, North Carolina.

Some say his greatest work was the Raleigh House, but as not met and this was demolished in 2001, I believe Floralis Generica assumed this position and is among one of his greatest legacies.

A "generic flower" resembles a magnolia, both open and closed. It was built on a water mirror 44 meters in diameter, the petals are made ​​of stainless steel, enclosed are 16 meters and 32 meters in diameter open, the skeleton is aluminum. The flower has 23 meters high and weighs 18 tons.

The name of the work is a reference to all the flowers and its opening and closing symbolizes the hope of a new day, hope that this ironically expect to happen with the sculpture itself, as the mechanism that causes it to open at 8am and close the sunset is broken, more than two years. The Argentine government claims not to have money to fix it. But regardless of this, a ride that is worth a lot, especially for the photos.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Caminito, a Rua Museu de Buenos Aires by Levi Freire Jr

Levi Freire Jr no Caminito - Buenos Aires - Argentina



Chegamos ao bairro de La Boca! É impossível estar em Buenos Aires e não pensarmos em uma visita ao La boca, pois, é por aqui que também encontramos o famoso estádio de futebol “La Bombonera”, administrado pelo Club Atlético Boca Juniors. 

É aqui nesta área que também encontramos uma rua que é um verdadeiro museu, a rua Caminito! Um lugar fabuloso para os nossos olhos, tudo colorido! 


Levi Freire Jr - Caminito - Buenos Aires - Argentina 

Este colorido todo vem dos “conventillos” que eram as casas típicas dos imigrantes italianos que chegavam em Buenos Aires ao final do século XIX, em sua grande parte vinham da cidade de Genova. Estas casas foram construídas com restos de madeira, placas e telhas em metal. As várias cores vem da criatividade em reutilizar as tintas que sobravam nas oficinas existentes na área do porto. A vida não era nada fácil para estes italianos, mas eles conseguiram transformar a dureza de suas condições financeiras e sociais em alegria, através das cores. 

A placa mostra a direção para o Conventillo histórico de 1881. Até o Maradona está por aqui. 

Atualmente, muito destes "conventillos" foram transformados em lojas de souvenirs, restaurantes, enfim aqui você encontra uma rua inteira cheia de cultura e originalidade, a rua foi oficializada como “rua museu” em 1959. 


Levi Freire Jr no Bairro de La Boca as margens do rio Riachuelo ou Rio Matanza -Riachuelo, este rio tem sua foz no rio da Prata, também em Buenos Aires.     

Muitos atribuem o nome de “Caminito” ao tango de Juan de Dios Filiberto, cujo o lugar teria inspirado a letra. Entretanto, este tango data de 1926, por isto, existem controvérsias e alguns afirmam que o tango está inspirado num caminho da localidade de Olta, na província de La Rioja.  Mas o que importa é que este lugar é fabuloso, em sua passagem por Buenos Aires aqui é parada obrigatória!

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Turismo e o MERCOSUL by Levi Freire Jr

Por Levi Freire Jr


 
Introdução - Conceitos, Estudos e Análises

 
Primeira página do Jornal do Brasil em 27 de Março de 1991

O MERCOSUL nasceu há 21 anos e foi criado com o objetivo de estabelecr um mercado comum na America do Sul, um dos seus primeiros desafios era estabelecer uma união aduaneira entre os países signatários, qual facilitaria o aumento do volume de negócios na região através da “livre” circulação de bens e serviços. No entanto, os processos estão mergulhados em uma grande burocracia e pouco se tem avançado, isto se tomarmos como referência as expectativas desde a assinatura do Tratado de Assunção em 26 de março de 1991, pelos então presidentes Carlos Menem (Argentina), Fernando Collor de Mello (Brasil), Andrés Rodríguez (Paraguai) e Luis Alberto Lacalle (Uruguai). Mas é importante lembrarmos que a idéia foi concebida, ainda nos anos 1980 com o escopo de consolidar a democracia incipiente nos países-membros, ainda traumatizada por ditaduras militares recém extintas.

Sabemos que o MERCOSUL é marcado por crises e problemas causados pelas grandes diferenças existentes entre os países-membros, e manter o equilíbrio de interesses não tem sido tarefa fácil. Mas, se as expectativas quanto ao projeto original não vêm sendo atendidas temos em contraponto o crescimento do turismo na região. Recentemente, entre os dias 07 e 11 de março de 2012, na Feira Internacional de Turismo de Berlim http://www.itb-berlin.de/en/, foram divulgados números quais mostram que em 2011 o MERCOSUL faturou com o turismo cerca de 15 bilhões de dólares. Vale ressaltarmos que tal crescimento é mais o reflexo do bom momento da economia brasileira do que com a integração propriamente dita do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL.

Nesta abordagem iremos relacionar pontos importantes do turismo para os países do MERCOSUL e países associados. Dando ênfase para o Brasil como centro receptor e emissor de turistas.


A Economia Brasileira, O MERCOSUL e o Crescimento do Turismo

O bom momento da economia brasileira tem possibilitado um maior crescimento de turistas que se lançam em desbravar novos destinos. Sonhos de uma viagem outrora impossíveis agora se tornam reais e é cada vez maior o número de brasileiros pelo mundo. Em princípio e sem a necessidade de pesquisas mais profundas podemos constatar tal demanda ao nos depararmos com a variedade de pacotes turísticos que são disponibilizados de todas as formas, inclusive pelas famosas compras em grupo da internet que se apresentam irresistíveis e imbatíveis quanto ao preço.



Na feira Internacional de Turismo de Berlim que aconteceu entre os dias 07 e 11 de março de 2012 foram divulgados números expressivos que colocam o MERCOSUL, qual o Brasil é Estado Membro, em uma situação favorável ao turismo no que tange ao faturamento em 2011. De acordo com os responsáveis pelo turismo na America do Sul o faturamento do MERCOSUL foi de 15 bilhões de dólares.


Em 2011 o Brasil recebeu 5 milhões e meio de turistas e somou mais de 6,7 bilhões de dólares o que representa 3,3 % do PIB nacional. De acordo com o Ministério de Turismo Brasileiro esse fator acompanha o resultado das políticas econômicas e sociais que permitem a população usufruir de uma economia estável favorecendo o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas.

O turismo em outros países do MERCOSUL também atingiram valores consideráveis, por exemplo, a Argentina alcançou 6 bilhões de dólares sendo o turismo considerado como o terceiro maior mercado do país. O Chile que vem crescendo gradativamente recebeu em 2011 900 mil turistas estrangeiros o que corresponde a 3,2% do PIB daquele país.


Com tantos fatores favoráveis foi inevitável cruzar fronteiras e dentre elas as de nossos vizinhos, como os que compõem o MERCOSUL: Argentina, Paraguai, Uruguai e a Venezuela que é Estado parte em processo de adesão. Além dos Estados Associados ao MERCOSUL que são Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e o México no papel de país observador.

 
Levi Freire Jr na cidade de Uruguayana - Rio Grande do Sul - Fronteira Brasil com Argentina. Burocracia na entrada, aguardando liberação das autoridades argentinas.

Muitos atribuem o crescimento do turismo ao MERCOSUL, mas tratar o turismo desta forma é encará-lo de maneira leviana. Na medida em que nossas pesquisas avançam percebemos que este é um fenômeno muito mais voltado para a economia e para uma comportamento da vida moderna onde as pessoas através das viagens, muito mais acessíveis, procuram conhecer outros países. Tudo isto aliado a necessidade de se qualificar através de intercâmbios estudantis e culturais, através do turismo de negócios, do turismo de eventos e de outras formas de se fazer turismo quais estão pautadas nas exigências e ditaduras de um mundo globalizado.

Levi Freire Jr no Puerto Madero um dos principais pontos turisticos da Cidade de Buenos Aires - Argentina. Ao fundo a campanha de divulgação do Brasil como Destino turístico promovido pela Embratur: "Brasil te llama - Celebrá la Vida aqui"



O MERCOSUL e a União Européia - Modelos Diferentes



Ao afirmarmos que o MERCOSUL, quanto bloco econômico, não tem contribuído diretamente com o turismo é por ser perceptível que a institucionalização deste ainda é fraca, há poucos direitos comunitários, apesar de sabermos que os direitos comunitários são uma evolução e aperfeiçoamento do direito da integração tanto é que o direito comunitário tem sua origem na União Européia, modelo este que o MERCOSUL ainda está longe de atingir.


É importante citarmos que diplomatas, estudiosos de America Latina e acadêmicos da Universidade de Oxford em Londres advertem sobre a comparação que não deve ser feita entre MERCOSUL e União Européia, pois a entidade não foi criada tendo como modelo a União Européia que é um modelo político. A união européia teve como eixo básico de criação a relação França e Alemanha que é uma relação de equivalentes, no caso do MERCOSUL o Brasil exerce um peso excessivo.

Talvez uma das poucas coisas que possam ser comparadas é que ambos os blocos rejeitam as leis supranacionais que é uma forma de direito Internacional baseada na limitação dos direitos das nações soberanas sobre as outras.

Como o quarto bloco econômico regional do mundo, apesar de alguns dizerem que já perdeu este posto, o MERCOSUL enfrenta muitos problemas dentre elas as instabilidades políticas e econômicas. Ainda não conseguiu atingir a sua meta de ser um Mercado Comum que seria a terceira fase do processo de integração. O MERCOSUL Ainda está na segunda fase e de forma incompleta, ainda está como União Aduaneira.

Para melhor ilustramos elencamos abaixo as fases do processo de integração:



1-Zona de Livre Comércio;

2-União aduaneira - O MERCOSUL está nesta fase - Imperfeita;

3-Mercado comum - O objetivo "final" do Mercosul é chegar nesta fase;

4-União econômica e monetária - A União européia está nesta fase;

5-União Política - O objetivo da união Euroéia é chegar nesta fase, mas para isto terá que dentre vários pontos, concordar com leis Supranacionais.


É notório o crescimento do turismo, mas será que está diretamente ligada ao MERCOSUL e suas supostas beneficias aos nacionais dos países-membros?


É fato que desde assinatura do Tratado de Assunção ainda é necessário muito para que o Mercosul tenha uma efetividade nas políticas externas e internas. Apesar do turismo ter crescido, a burocracia qual ainda O MERCOSUL está mergulhado é um fator que se levanta contra ao crescimento do turismo. As fronteiras ainda são um problema e apesar de não haver obrigatoriedade na apresentação de um passaporte, entre os Nacionais dos países membros, as exigências de entrada e saída ainda se colocam de forma retrograda diante da proposta de integração dos Estados.

Ao aprofundarmos os nossos estudos entendemos que o crescimento do Turismo está mais relacionado com politicas internas de cada País e não especificamente ao MERCOSUL, pois quando analisamos a sua gênese e o seu desenvolvimento percebemos que infelizmente não está de acordo com aquilo para qual foi criado.




domingo, 11 de março de 2012

Levi Freire Jr em Entrevista ao Pré-Clic 2012 "O Brasil que não é da América Latina"

Levi Freire Jr é guia de turismo internacional há mais de 10 anos e possui grandes experiências em viagens por diversos países da Europa, Estados Unidos e países sulamericanos como Argentina, Chile e Colômbia.
Além de turismólogo, Levi é bacharel em Direito e a sua pretensão é se especializar em direito internacional.
Antecipando o tema do 1º Pré-CLIC ele concedeu uma entrevista exclusiva, em que partiu de suas experiências e também de seus estudos para falar um pouco da América Latina, dando ênfase na relação do Brasil com o continente que, de um modo geral, por vezes parece tão distante da nossa realidade.

Não perca o 1º Pré-CLIC que será na próxima terça (13/03), às 19h na Livraria Saraiva.
  
Por Ana Carolina Almeida
Fotos: Mariana Almeida 


● Ana Carolina Almeida – Por sua experiência de guia turístico e viagens por diversos países da Europa, Estados Unidos e países sulamericanos como Argentina, Chile e Colômbia, há realmente um distanciamento do Brasil em relação aos países latinos que conheces?

● Levi Freire Jr. – Sim, há um total distanciamento O primeiro logo notável é com relação à própria língua. A dificuldade de nós nos comunicarmos com eles. Muitas pessoas dizem que o falar “portunhol” é o mesmo que falar espanhol ou o português, mas não é assim. O que eu vejo é um mútuo desinteresse em ambos realmente tentarem se comunicar entre si.

● Ana Carolina Almeida – Em que o Brasil pode ser considerado latino? E o que ele não pode?

● Levi Freire Jr. – Bem, é uma pergunta complexa, porque a gente precisa resgatar um pouco da história e do contexto em que o rótulo “América Latina” foi cunhado: ele surgiu no século XIX, por volta dos anos de 70, 80 em virtude da invasão francesa no México e para que pudesse determinar até onde iriam seus domínios eles cunharam o termo América Latina; mas de fato o termo só virou uma espécie de sinônimo para “países que estão na américa do sul”.

● Ana Carolina Almeida – É só o Brasil que “não é da América Latina” ou outros países do continente também? Quais e por quê?

● Levi Freire Jr. – Olha, eu penso que existem outros países que não se sentem parte da América Latina. Por exemplo, o México e Porto Rico se sentem muito mais norte-americanos e convivem muito mais com a américa do Norte.
Pensando melhor, ao meu ver nenhum país se SENTE Latino-Americano. Eles sabem que fazem parte de um âmbito territorial, mas no final, a América Latina é uma grande colcha de retalhos que parece que anda junto por que falam a mesma língua, mas que na verdade não se identificam entre si.
Então por ser uma colcha de retalhos, talvez a unificação seja possível de outras maneiras, não tanto para o lado cultural, mas para uma convergência econômica.

● Ana Carolina Almeida – Para você quais são os principais fatores para o Brasil não se considerar “latino americano”? Isso se deve a quê? É algo midiático, político, da população (cultural) ou outra causa?

● Levi Freire Jr. – Inicialmente isto se dá pela língua. Como eu havia dito está é uma questão importante, mas não é de fato única e sozinha. O outro grande ponto é a questão é falta de identificação. Esta também se dá por uma série de subfatores, como a questão cultural, o tipo de colonização, a política individual de cada país e também, a sua economia.
Pensa só comigo, são (salvo o engano) 21 países pertencentes à América Latina, sendo que 16 desses países têm como língua oficial o Espanhol. Agora, veja bem, nós fomos colonizados por portugueses, a nossa identificação, quando a gente olha em nível de América Latina parece que não se encaixa mesmo, por que a nossa raiz histórica foi completamente diferente das deles.
Assim, quando a gente olha para algum país que queremos nos identificar a gente logo se relaciona a Portugal, ou outro país da Europa e até mesmo os Estados Unidos. A gente nunca se identifica com a Argentina, Colômbia ou a Venezuela. Sempre eu vou olhar além.
A questão da chamada língua materna, que é onde a gente tem as raízes culturais desse povo, também é um fator importante. Por mais que pareça que não, a influência das línguas maternas nestes povos ainda é considerável, tornando-os, talvez mais próximos entre si e distantes de nós. Sem contar que a questão da colonização, como já disse é determinante para esta situação, não podemos esquecer, é claro, de citar que além dos portugueses também fomos fortemente colonizados por africanos, então a gente pode até mesmo apontar que nos relacionamos muito mais aproximadamente com a África do que a própria América Latina.
O Brasil tenta se integrar com a América Latina por questões políticas e econômicas e não por questões identitárias e isto não pode ser esquecido, pois é importante para se entender as relações que existem entre os participantes do Mercosul.
Citando a questão da União Europeia, a gente visualiza que se trata de outro histórico. Por diversas vezes o continente europeu foi uma coisa só, foi integrado. Em virtude de um contexto específico (por exemplo, quando Napoleão invadiu a maior parte do continente.), a gente percebe que estes momentos foram determinantes para fazer com que o europeu se sinta europeu, nunca esquecendo que o europeu é europeu E a sua nacionalidade. Ele nunca vai te dizer que é apenas europeu, ele vai dizer que é também italiano, também inglês, também francês.
Dentro desse globo, se a gente for parar para pensar, a Itália é o único país em que se fala italiano, ou seja, essa língua poderia ter sido suprimida, engolida pelos outros países, então a gente conclui que o fazer parte, se denominar como parte de algo é muito mais do que está conectado ou próximo, é criar uma espécie de vínculo identitário, mas sempre preservando a sua identidade nacional e respeitando a outra cultura e o território do outro.
O Brasil não consegue se sentir, na minha opinião, parte da América Latina por uma questão territorial. 40% da América Latina é o Brasil, então você pode entender que o Brasil nem mesmo se conhece e por não se conhecer ele não consegue conhecer seus vizinhos (que são vizinhos pequenininhos, comparando o tamanho do Brasil).
Para Levi a integração entre os países latinos é difícil pois "Cultura é cultura. A identidade vem dela também, então não é possível ela ser agregada sem que se haja perda. E ninguém quer perder a sua identidade."

Ana Carolina Almeida – Em uma conversa anterior, você contou um problema vivido em Buenos Aires e de um possível “recalque” que existe em nossos “hermanos” argentinos em relação a nós. O que significa este recalque? Como isto se dá? E de brasileiros para os outros países latinos? Existe também, se não recalque, algum sentimento parecido?

● Levi Freire Jr. – Quando a gente fala da Argentina, a gente percebe que ela teve a oportunidade de se desenvolver muito culturalmente, transformando Buenos Aires, por exemplo, em um grande centro artístico, arquitetônico e culto na América Latina. Percebemos toda a influência europeia que existe, se considerando a Europa na América. Se a gente observar a gente vai perceber que, de fato o argentino lê muito mais e procura muito mais informações para sua própria educação. 
Com toda essa questão intelectual o argentino acaba se colocando como superior ao brasileiro e até mesmo aos outros países sul-americanos. Quando ele faz isto, ele acaba causando uma reação, muitas vezes generalistas. Se você é tratado mal por um argentino, vai sair da Argentina dizendo que todos os argentinos são grosseiros.
Destaco também, não só o que diz respeito ao intelectual, mas também o cultural. Os argentinos argumentam que sua cultura é mais original que a do brasileiro. Dizem que nós, por causa das variadas manifestações culturais dentro do país, não temos uma cultura original, límpida e nacional.
Mas acredito que o recalque fica bastante dentro da questão econômica. Ainda existe muito aquilo do argentino não aceitar o Brasil com um desenvolvimento econômico maior. Por exemplo, no final do Governo Lula em 2010/2011, o Brasil foi responsável por quase 43% da Balança Comercial da América Latina, contra 7% da Argentina.
Em relação ao Brasil para com outros países eu digo que com certeza também existe recalque. É até interessante se pensar nisso, por que muita gente atribui este ou estes sentimentos ao futebol.
Apesar de ser um fenômeno claro, que acontece nas rixas, o recalque não pode ser atribuído somente ao futebol, por que se fosse assim, seria uma coisa pontual e única.
Hoje, os mesmo problemas econômicos e sociais que o Brasil enfrenta a Argentina também enfrenta. Para você ter uma ideia, da ultima vez que eu estive lá eu entrei no país de ônibus e a primeira visão que você tem é de uma grande favela.

● Ana Carolina Almeida – Qual é a visão de fora que os latinos possuem do Brasil? Algo parecido como "brasileiro cordial" ou algo incomum?

● Levi Freire Jr. – Não é nada de incomum, não. Eu percebo exatamente isso, do brasileiro cordial. O que a gente vê é que esta é ainda a visão do brasileiro no exterior e não só na América Latina, mas também no resto do mundo.
Inclusive a Embratur deixou de ser aquele órgão puramente burocrático, e acabou se tornando uma agência de marketing da visão do Brasil no exterior. Eles fazem campanha pelo mundo com personagens brasileiros de braços abertos, sorrindo e completamente hospitaleiros.
Um outro indício que a gente percebe no quesito da visão que eles tem de nós é quando nós mesmo dizemos que somos brasileiros no exterior, eles perguntam as coisas praxes (futebol, carnaval, samba...) e quando você diz que é brasileiro eles, também, passam a te tratar melhor. Isto quando estamos falando do brasileiro turista, porque quando quem vai a estes países para estudar e/ou trabalhar a forma como é tratado é outra bem diferente. A imagem que o brasileiro tem como profissional no exterior é a do aproveitador e desonesto. Inclusive o jeitinho brasileiro é muito mal visto.

● Ana Carolina Almeida – O que o Brasil pode(ria) aprender com outros países latinos e vice-versa? Seja na cultura, educação, hábitos etc.

● Levi Freire Jr. – Olha, é uma pergunta bem difícil, mas eu penso que uma das coisas que o Brasil poderia aprender com os outros países latino-americanos é a concepção de unidade. Quando eu te digo isso eu não estou falando da unificação dele com os vizinhos e sim de uma auto-unificação e um auto-conhecimento.
É comum se ouvir que existem vários Brasis dentro de um Brasil, isto se dá por que não nos conhecemos.
Podemos dizer que pela dimensão territorial do Brasil isto é difícil de alcançar, no entanto eu acredito que se houvesse um interesse mútuo maior entre os próprios brasileiros, não seria tão impossível assim. A ignorância, ela no sentido de ignorar realmente (não levar em consideração) ainda é muito forte entre nós brasileiros.
Agora o que poderiam aprender conosco?! O nosso bem receber. Somos hospitaleiros e de fato recebemos nossos convidados e visitantes muito bem. Diferente de como somos tratados, por exemplo, na Argentina.

● Ana Carolina Almeida – Mas isto não se dá por que se trata de brasileiro?

● Levi Freire Jr. – Pode ser. Mas infelizmente sempre tive a experiência de ser destratado como Brasileiro. Ainda não pude trocar de nacionalidade para ver se é diferente.

● Ana Carolina Almeida – Você acredita que seria possível uma integração entre os países latino-americanos? De que tipo?

● Levi Freire Jr. – Acho que a integração que podemos ter é econômica. Já é complicado nós brasileiros nos integrarmos devido a diversidade cultural, você imagina termos que dar conta de abranger as outras diversas culturas que existem na América Latina?!
Cultura é cultura. A identidade vem dela também, então não é possível ela ser agregada sem que se haja perda. E ninguém quer perder a sua identidade.

● Ana Carolina Almeida – Estás querendo fazer especialização em Direito Internacional e tens uma grande experiência de vida em vários países, não somente latinos. Em que o Direito Internacional pode ser importante para o Brasil?

● Levi Freire Jr. – Veja bem, com a questão da globalização a gente percebe que não só mercadorias, produtos e serviços passaram a circular de uma forma mais intensa. As pessoas também. Então neste intercâmbio é possível acontecerem atritos.
Tu imaginas: hoje você compra um produto no exterior, amanhã ele dá problema; a quem você vai recorrer? Neste caso são as leis do Brasil que estão valendo ou as leis do país que você comprou o produto? Ou digamos que você tenha tido um problema na imigração e aconteceu uma situação em que você achou que a sua pessoa foi ferida, que o seu direito foi ferido. Que tipo de ajuda você pode pedir para resolver o problema? E quem é que vai julgar o ocorrido?
Então aí que o advogado internacional entra. Ele vem para tentar extinguir ou encaminhar conflitos, sem que a soberania de nenhum dos países seja atingido, compreendendo e fazendo uma mediação entre as leis dos envolvidos.

● Ana Carolina Almeida – Por fim, uma pergunta-provocação: o Brasil é mais distante da América Latina ou da Amazônia?
  
● Levi Freire Jr. – Depende da abrangência da pergunta. Do ponto de vista turístico, os brasileiros ainda preferem visitar o exterior. Por que pensa assim: Sul e Sudeste estão territorialmente mais próximos dos nossos Hermanos, do que de nós aqui no norte. É melhor você passar duas horas em um avião indo para o Chile, a passar quatro para vir para Belém.
Sem contar que o aparato turístico de recepção também conta muito nessa hora. Por exemplo, eu, Pará estou do lado da Colômbia. Só que para eu chegar lá eu preciso pegar um avião para ir para São Paulo para depois ir para a Colômbia.
Talvez outro ponto importante neste meio seja o status de dizer que viajou para o exterior. O poder viajar para Argentina ainda soa mais impressionante que dizer que veio à Belém.
E ainda acontece o seguinte: exótico para o turista europeu e americano é a Amazônia. Mas e para nós que moramos aqui? Para onde a gente vai? O que é o exótico pra gente?
Aí aparece o contrário. A Amazônia está mais perto de quem neste caso? 


● Ana Carolina Almeida – Mas falando de identificação, tu não achas que acontece talvez uma identificação maior dos paulistas com os argentinos, do que dos mesmo paulistas com os nortistas?

● Levi Freire Jr. – Não, eu não acredito que isto aconteça. Eu acredito que na verdade o brasileiro pode não se identificar como latino-americano, mas ele com certeza se identifica como brasileiro. O que acontece é a ignorância mesmo, no sentido de ignorar o que se tem no país somado ao desconhecimento do mesmo.
Quer um exemplo?! Um dia eu estava conversando com uma colega guia de turismo e ela estava indignada por que depois de tanto tempo as pessoas ainda não conheciam o norte do país. Na mesma medida eu perguntei a ela se ela conhecia o Vale do Itajaí. A resposta dela foi “Já ouvi falar”.
Então daí você tira que não é só a ignorância e o desconhecimento do “Brasil” para conosco, mas do Brasil para com ele próprio.


Gostou da entrevista? Clique aqui para vê-la em pdf e, se quiser, salvar (todos os direitos reservados).

domingo, 14 de agosto de 2011

URUGUAIANA - Fronteira Brasil/Argentina by Levi Freire Jr

Município brasileiro, situado no extremo ocidental do estado do Rio Grande do Sul, junto à fronteira fluvial com a Argentina e Uruguai. Junto com o município de Barra do Quaraí, é o único município brasileiro que faz fronteira com Argentina e Uruguai. A cidade tem grande importância estratégica comercial internacional, tendo em vista que está localizada equidistante de Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires e Assunção; bem como a importância na produção agropecuária nacional, como a produção do arroz.Brazilian municipality located in the extreme west of Rio Grande do Sul State, near the river border with Argentina and Uruguay. Together with the municipality of Barra do Quaraí, is the only Brazilian town which borders Argentina and Uruguay. The city has great strategic importance international trade in view of which is located equidistant from Porto Alegre, Montevideo, Buenos Aires and Asuncion, as well as the importance in national agricultural production, like rice production.
 



URUGUAIANA - Fronteira Brasil/Argentina às 03 da manhã.


Quando viajamos por via terrestre entre o Brasil e a Argentina passamos por aqui. É o principal posto de fronteira entre ambos países. As companhias de ônibus, usualmente, passam  por aqui  quando fazem os trajetos entre Buenos Aires, Córdoba, Santiago do Chile e as capitais brasileiras do sul e do sudeste. A fronteira  está em uma região pouco habitada e longe dos grandes centros. De Santa Fé até aqui são 9 horas de viagem e a próxima grande capital é Porto Alegre, que está a 10 horas de viagem. When we travel by land between Brazil and Argentina went through here. It is the main border post between the two countries. The bus companies usually pass by when they make the paths between Buenos Aires, Cordoba, Santiago of Chile and the Brazilian cities of the south and southeast. The border region is a sparsely populated and far from large centers. Santa Fe here is 9 hours away and the next big capital is Porto Alegre, which is 10 hours away. 


Na estrada, quase nem há restaurantes ou paradas do lado argentino. Este é um dos poucos lugares que podemos parar. On the road, almost no restaurants or even stopped on the Argentine side. This is one of the few places we can stop.

 
Amanhecer nas estradas da Argentina. 
Dawn on the roads of Argentina.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

01 - Documentação de Viagem Nacional & Internacional - Levi Freire Jr

Uma das primeiras providências quando decidimos fazer uma viagem é verificar se nossa documentação está em dia, enfim, se o passaporte está dentro da validade, se o visto venceu ou se de fato estamos aptos com todas as exigências de entrada no país e/ou cidade o qual escolhemos visitar. A falta de atenção pode acarretar problemas graves, como: não embarcarmos ou ainda sermos barrados na imigração e voltar no mesmo avião, portanto, fique atento!


1– Viagem Nacional


Apresentar documento Oficial com foto.

2 – Viagem Mercosul (Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai)

Os documentos de viagem que habilitam os cidadãos brasileiros a ingressarem nos países participantes do Mercosul, na condição de turistas são:

a) Passaporte: Com validade mínima de 06 meses restantes;

b) Cédula de Identidade Civil: Emitida pelos institutos de identificação das polícias civis dos Estados. Porém se for apresentar a identidade, a data de expedição não pode ser maior do que dez anos.


Não são aceitos como documento de viagem Internacional:
Certidão de Nascimento, mesmo para recém-nascidos ou menores de idade;

Qualquer outro documento, mesmo aqueles que tenham aceitação como documento de identidade no Brasil, exemplo: carteira de identidade de associações profissionais, de Ministérios, inclusive militares, ou emitidos pelos poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário da União e dos Estados, que não os órgãos de identificação das polícias civis dos Estados.
obs.: aconselhamos o uso do passaporte, sem o mesmo você não poderá fazer compras nos "duty free", "free shop"



3 – Viagem USA


Os documentos de viagem que habilitam os cidadãos brasileiros a ingressarem nos USA, na condição de turistas são:

a)Passaporte: Com validade mínima de 06 meses restantes;

b) Visto: a partir dos 14 anos é requerida entrevista na embaixada ou nos consulados norte americanos. É importante ratificarmos que o visto é uma exigência feita por alguns países, mas, não é garantia de entrada no mesmo, haja vista, serem Estados soberanos e por isto decidem quem entra ou não em seu território.


4 – Viagem Europa


Os cidadãos brasileiros não necessitam de visto para entrar em qualquer um dos Países Europeus integrantes do espaço Schengen, quando estiverem se deslocando a turismo e por no máximo 90 dias.

O Espaço Schengen compreende um grupo de países que assinaram um acordo para facilitar o trânsito de pessoas em seu território. Os 24 países que fazem parte do acordo são: Áustria, Bélgica, Republica Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Hungria, Alemanha, Grécia, Holanda, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha e Suécia.



A isenção de visto não exime os turistas brasileiros do cumprimento de algumas formalidades de entrada no espaço Schengen, a saber:

a) passaporte com validade superior a 6 meses;

b) bilhete de viagem aérea (ida e volta) com permanência máxima de 90 dias;

c) comprovante de Hospedagem; *

d) seguro de viagem ; *

e) comprovante de meios financeiros para manter-se durante a estada*

* Esta obrigatoriedade varia de País para País.

Mercosul: www.mercosul.gov.br
Informações visto Americano: www.visto-eua.com.br
Informações Europa: www.visiteurope.com
 


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